“De repente” foi como o ex-namorado da assistente de marketing Ana Paula Pascoaletto, 20 anos, acabou a relação. O casal estava junto havia dois anos quando o moço disse que “precisava dedicar-se à faculdade”. Ela perdeu 4 quilos em uma semana de tanta dor de cotovelo e ele logo engatou um romance com uma colega de curso.
Depois dessa, Ana não consegue mais pensar em relacionamento sério. Em um ano ela teve alguns ficantes , mas ainda não se imagina dando uns passinhos à frente. “A partir do momento em que o cara começa a gostar de mim, eu me afasto. Quando penso em namoro só vem à minha cabeça estresse, desgaste. Me dá uma agonia”, desabafa.
O que Ana sente é chamado de namorofobia pelo terapeuta Sérgio Savian. É uma aversão ao compromisso no relacionamento amoroso que tem, segundo especialista, origem em traumas antigos (términos repentinos, traição, divórcio conturbado dos pais, por exemplo). Não é questão de escolha nem uma desculpa de quem não está afim “no momento” ou não se sente capaz de conquistar alguém. Ana, por exemplo, deseja superar esse bloqueio o quanto antes. “Não quero ficar sozinha para o resto da vida”, confessa.
ANGÚSTIA, MEDO, DOR DE CABEÇA
A idéia de namorar também é associada a sensações ruins pela analista de mídias sociais Victoria Siqueira, 25 anos. “Virou sinônimo de angústia, medo e dor de cabeça”. Ela chegou à conclusão de que não sabe mais dividir seu coração. “Quando gosto muito eu me anulo e sofro desde o início pensando que não vai dar certo”. Acaba não dando mesmo. Até desistir do assunto Victoria teve três namoricos que duraram cada um cerca de quatro meses. Assim como Ana Paula, ela quer mudar. “Preciso amadurecer para deixar de ver o namoro como sofrimento”, admite.
A real é que namorar só se aprende namorando, segundo a psicóloga Ana Cristina Pletsch, coordenadora do curso de psicologia da Universidade Anhembi Morumbi. “Ao contrário do que muitos pensam, o conjunto de comportamentos que envolvem o namoro não é natural. Tem de aprender com a própria relação”, recomenda. “O que deu certo no passado pode ser motivo de briga agora e vice-versa. Um namorado pode amar receber vários telefonemas por dia e outro terminar por isso. Para dar certo é preciso que a dupla esteja disposta a resolver os conflitos que forem aparecendo”.
O medo de enfrentar esse conflitos naturais é comum entre os namorofóbicos. Também o receio de perder a individualidade e “deixar de ser você mesmo” ou de, após todo o investimento sentimental e de tempo, a relação não der certo é motivo para evitar compromisso mesmo quando se está apaixonada e é correspondida. “Há pessoas que encaram o término como um fracasso e não querem se arriscar a passar por isso de novo. Elas temem sofrer ou fazer o outro sofrer”, conta.
No fim das contas todos saem perdendo. Se os namorofóbicos penam com sua condição, quem se apaixona por eles sofrem ainda mais. A microempresária Thaila dos Anjos passou 4 de seus 23 anos enrolada com um carinha que dizia: “gosto muito de você, só que não consigo namorar”. Durante esse tempo cheio de idas e vindas, sete meses foram bem intensos. “A gente se via pelo menos três vezes por semana e tinha uma relação de amizade, paixão, cumplicidade e carinho. Era como um namoro, só que não podia ter esse nome”.
MAIOR ROLO
Verdade seja dita, muitas vezes o paquera que jura ter problemas sérios em se relacionar para valer apenas não está tão afim de assumir a ficante do momento. “Tem menina que dá tanto azar que depois de ser enrolada um tempão o cara conhece outra e começa a namorar. Isso sinaliza que tinha mesmo algo naquela relação que não lhe despertava o desejo de se comprometer”, comenta Ana Cristina.
Mas Thaila tem certeza de que o enrolão era um namorofóbico autêntico. “Ele namorou uma vez só e nunca mais. Dizia que detestava a obrigação de conversar horas e horas, jantar com a família, andar de mãos dadas. Tinha pavor de passeios típicos de casal e tinha um medo absurdo de ser dominado e de sofrer”. Ok! Com essa descrição dá para acreditar. A solução que ela encontrou? Desistir. “Cansei. Não dava para ficar dando murro em ponta de faca. Descobri que essa covardia toda não me atrai”.
Aí então surge que pergunta que não quer calar: Namorofóbicos como a ex-paixão de Thaila devem buscar tratamento? “Se a pessoa quer namorar e não consegue, sim. Agora, se não namorar for uma escolha genuína e consciente, tudo bem. A terapia só é recomendada quando existe incômodo”, explica Ana Cristina. “A escolha é conseqüência do autoconhecimento. Você experimenta a vida e as relações forma seu conceito do que serve ou não. Porque é possível ser feliz ou infeliz sozinho ou acompanhado”, conclui Savian.
É galerinha do blog do hudsýn, quem não se prende a ninguém pode sofrer de namorofobiae quem ama alguém assim se descabela ainda mais.

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