Outro dia, procurando uma resposta para o porquê de ser mais fácil, eu gostar de artes anteriores a minha geração, cheguei numa conclusão simples: hoje em dia, a maioria dos artistas é uma bosta! A falta de talento e o excesso de “auto-afirmação”, por parte dos “contemporâneos”, dariam pena, se não fosse tão cômico.
Para “ser”, nos dias atuais, basta juntar um grupo de pessoas bacanas, com o implícito acordo: “troca de favores”, comprar um óculos diferente, listar filmes cultuados, músicos polêmicos, dizer que adora tudo isso (mesmo não sendo de verdade), soltar frases complexas sobre pessoas, condutas e valores e pronto! Aí basta criar qualquer porcaria com ar de “sou super foda”, colocar a “obra” em vários sites de relacionamentos, lamber a bunda de qualquer pessoa que faça o mesmo, pôr seus rótulos na descrição desses sites e aguardar os comentários super-lambedores dos amigos “descolados”.
O engraçado é que a maioria se convence de que realmente é alguma coisa, e com isso, acaba por convencer outras pessoas também. Vivem um “glamour” imaginário, não aceitam críticas (mas nunca admitem, lógico, porque se mostrar aberto a discussões é “cult”), e organizam super-acontecimentos com qualquer “peido” que soltam. Sem falar da hipocrisia que é o “cachecol-xadrez” dos nossos “artistas”! Eles passam a imagem de alternativos e independentes, que lutam por todo o tipo de expressão, mas julgam entre si, o que é arte “certa” ou “errada”.
Bom, talvez seja difícil aceitar essas coisas, porque para mim, o conceito “arte” não cabe em maniqueísmos. Ou é arte, ou não é. Simples. Um artista para mim é quem cria porque sente necessidade de expressar coisas sentidas. Qualquer continuidade, de qualquer obra, para um artista de verdade, é uma conseqüência e não uma prioridade. Quem cria só pensando em popularidade ou venda, não cabe em “ser artista”.
E o resultado disso tudo é simples: uma cambada de hipócritas, reproduzindo lixo, se sentindo os mais talentosos e polêmicos do pedaço, sem perceber que enquanto perdem tempo, falando em “ser”, poderiam estar de fato “sendo”.
Claro que, como em outros segmentos, o orgulho ocupa o espaço do bom-senso. O que falta para alguns desses “artistas” é perceber de uma vez que, falta de humildade não traz nada além de porcaria e superficialidade.
Como diria a minha avó: contar com o ovo no cu da galinha nem sempre dá certo.
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